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São Paulo · análise regional

Brasilândia

Um território populoso, de forte vida comunitária e comércio local, marcado por encostas e deslocamentos longos. O custo de moradia é menos pressionado, mas calçadas, mobilidade e acesso a oportunidades reduzem a nota.

Indicadores do bairro

Leitura rápida

0 · pior cenário10 · melhor cenário

Composição das notas

O que pesa em cada dimensão

Abra uma dimensão para ver a nota e o peso de cada subitem. Os pesos internos somam 100% e formam a nota mostrada no quadro acima.

MobilidadeTransporte de massa, ônibus e tempo gasto no deslocamento.
12% da nota geral2,51
SubitemPeso na dimensãoNotaParcela da nota
Acesso populacional ao transporte de massa25%1,450,36
Redundância do transporte de massa10%0,380,04
Acesso populacional às paradas de ônibus10%10,001,00
Tempo no transporte coletivo35%1,950,68
Velocidade média dos ônibus10%2,380,24
Presença de estrutura cicloviária no entorno10%1,860,19
Total100%Nota da dimensão2,51
Ler a análise de mobilidade
Vida a péCalçadas, rampas, arborização e facilidade para caminhar.
10% da nota geral0,48
SubitemPeso na dimensãoNotaParcela da nota
Presença de calçada30%0,560,17
Calçada sem obstáculos30%1,020,31
Rampas para cadeirantes25%0,020,00
Arborização viária15%0,000,00
Total100%Nota da dimensão0,48
Ler a análise de vida a pé
SegurançaProteção à vida, crimes patrimoniais e exposição cotidiana.
18% da nota geral5,06
SubitemPeso na dimensãoNotaParcela da nota
Homicídios e intervenção legal40%0,680,27
Roubos por exposição30%7,722,32
Furtos por exposição15%8,491,27
Crimes contra veículos15%7,991,20
Total100%Nota da dimensão5,06
Ler a análise de segurança
Moradia e custoCusto de morar, renda, empregos e estrutura recebida em troca.
10% da nota geral6,69
SubitemPeso na dimensãoNotaParcela da nota
60 m² em anos da renda média municipal40%7,973,19
Pessoas por domicílio ocupado20%8,781,76
Água e esgoto7,5%9,450,71
Banheiro exclusivo e coleta regular7,5%9,910,74
Remuneração média mensal do emprego formal12,5%1,680,21
Oferta de emprego formal por população em idade ativa12,5%0,630,08
Total100%Nota da dimensão6,69
Ler a análise de moradia e custo
Vida práticaComércio, alimentação, cuidados, esporte e serviços do cotidiano.
7% da nota geral5,96
SubitemPeso na dimensãoNotaParcela da nota
Mercados e mercearias17,6%8,101,43
Farmácias13,2%6,170,81
Padarias8,8%7,390,65
Feiras livres13,2%6,900,91
Serviços financeiros e lotéricas8,8%2,300,20
Correios e encomendas8,8%2,590,23
Atendimento público17,6%7,391,30
Bem-estar cotidiano12%3,550,43
Total100%Nota da dimensão5,96
Ler a análise de vida prática
Saúde e educaçãoRedes pública e privada, distâncias de acesso e resultados sociais.
17% da nota geral3,54
SubitemPeso na dimensãoNotaParcela da nota
Serviço de saúde mais próximoOpenStreetMap 2026 + Pesquisa OD 2023. provisório; acesso multiponto.7,5%5,720,43
Redundância de serviços de saúdeOpenStreetMap 2026 + Pesquisa OD 2023. provisório; três equipamentos mais próximos.7,5%4,080,31
Variedade de acesso à saúdeOpenStreetMap 2026 + Pesquisa OD 2023. provisório; média de três ramos nos centros OD.5%2,630,13
Educação básica mais próximaOpenStreetMap 2026 + Pesquisa OD 2023. provisório; acesso multiponto.7,5%8,540,64
Redundância de educação básicaOpenStreetMap 2026 + Pesquisa OD 2023. provisório; três equipamentos mais próximos.7,5%6,780,51
Variedade de acesso à educaçãoOpenStreetMap 2026 + Pesquisa OD 2023. provisório; média de três ramos nos centros OD.5%3,990,20
Idade média ao morrerMapa da Desigualdade 2025. direto no distrito oficial.25%1,000,25
Mortalidade infantilMapa da Desigualdade 2025. direto no distrito oficial.15%0,030,01
Gravidez na adolescênciaMapa da Desigualdade 2025. direto no distrito oficial.5%0,000,00
Abandono escolar no ensino fundamental municipalMapa da Desigualdade 2025. direto no distrito oficial.5%3,470,17
Tempo de atendimento para vaga em crecheMapa da Desigualdade 2025. direto no distrito oficial.10%9,000,90
Total100%Nota da dimensão3,54
Ler a análise de saúde e educação
Áreas verdes e lazerParques, cultura, esporte, convivência e conforto térmico.
6% da nota geral4,10
SubitemPeso na dimensãoNotaParcela da nota
Parque ou área verde próxima7,5%7,090,53
Parque ou área verde com pelo menos 1 hectare17,5%2,750,48
Esporte público e comunitário12,5%9,201,15
Acesso à cultura7,5%4,100,31
Arborização nas ruas15%0,000,00
Trechos com maior presença de árvores10%0,000,00
Lazer, gastronomia e convivência15%3,270,49
Conforto térmico da superfície15%7,621,14
Total100%Nota da dimensão4,10
Ler a análise de áreas verdes e lazer
Chuvas e drenagemAlagamentos, risco, drenagem e efeito de obras concluídas.
8% da nota geral7,34
SubitemPeso na dimensãoNotaParcela da nota
População exposta à suscetibilidade de inundação40%9,723,89
Área territorial exposta à suscetibilidade de inundação25%9,832,46
População exposta à suscetibilidade de enxurrada10%10,001,00
Bueiro/boca de lobo no entorno20%0,000,00
Arborização como infraestrutura verde5%0,000,00
Total100%Nota da dimensão7,34
Ler a análise de chuvas e drenagem
Conforto acústicoExposição a aviões, vias movimentadas, trilhos e atividade noturna.
6% da nota geral9,45
SubitemPeso na dimensãoNotaParcela da nota
Potencial de ruído aeronáutico35%10,003,50
Proximidade a via principal25%8,532,13
Proximidade a via coletora10%8,160,82
Proximidade a ferrovia de superfície15%10,001,50
Proximidade à vida noturna15%9,991,50
Total100%Nota da dimensão9,45
Ler a análise de conforto acústico
Infra e conectividadeSaneamento, energia, internet, sinal móvel e continuidade urbana.
6% da nota geral6,74
SubitemPeso na dimensãoNotaParcela da nota
Água e esgoto15%9,451,42
Banheiro exclusivo e coleta regular15%9,911,49
Iluminação pública · nível e desigualdade municipal20%5,871,17
Pavimentação · nível e desigualdade municipal20%6,191,24
Cobertura móvel teórica 4G/5G10%10,001,00
Densidade de estações rádio-base20%2,130,43
Total100%Nota da dimensão6,74
Ler a análise de infra e conectividade

Os pesos das dez dimensões somam 100% da nota geral. Entenda a metodologia completa.

Análise aprofundada

O que é importante saber antes de escolher Brasilândia

Dados públicos e contexto local são reunidos para mostrar vantagens, limites e diferenças internas que realmente afetam a decisão de morar.

01

Mobilidade

A viagem começa muito antes de chegar à rede de massa

Brasilândia depende de ônibus para conectar morros e núcleos distantes a empregos, terminais e trilhos fora do território.

Vista Alegre, Jardim Damasceno, Vila Souza, Vila Terezinha e Brasilândia formam um território extenso e acidentado. A ausência de estação em operação dentro do recorte faz do ônibus alimentador uma etapa quase inevitável.

Subidas, ruas estreitas e congestionamento reduzem velocidade e regularidade justamente onde a população mais depende da rede. Uma linha próxima pode exigir integração e espera antes de iniciar a parte mais longa da viagem.

O custo principal aparece em tempo e previsibilidade. Testar apenas o mapa subestima lotação, intervalo, subida até o ponto e risco de perder uma conexão na volta.

Cantídio Sampaio, João Paulo I e Inajar de Souza funcionam como corredores de saída para uma população espalhada por Vista Alegre, Jardim Damasceno, Vila Souza, Vila Terezinha e Brasilândia. Em julho de 2026, a Linha 6 iniciou operação assistida até João Paulo I; o ganho é real para parte do território, mas a estação Brasilândia e a ligação integral com São Joaquim ainda não podem ser tratadas como rede concluída.

02

Vida a pé

O relevo transforma uma distância curta em esforço diário

Encostas, escadarias e calçadas incompletas formam a fragilidade mais severa da Brasilândia.

A nota muito baixa não nasce da falta de vida nas ruas. Comércio, escolas e pontos de ônibus atraem movimento, mas o caminho até eles pode não ter passeio contínuo, rampa ou largura suficiente.

Em trechos íngremes, degraus improvisados e veículos ocupando a borda empurram o pedestre para a via. Crianças, idosos, cadeiras de rodas e carrinhos enfrentam uma cidade ainda mais distante que a medida em metros.

Cada núcleo precisa ser percorrido como rotina: subida até o ônibus, travessia do eixo comercial e acesso à escola. Uma rua razoável não representa o conjunto nem compensa o obstáculo no caminho essencial.

No Jardim Damasceno e em Vista Alegre, a combinação de encosta, escadarias, vielas e calçadas estreitas define mais o percurso que a distância no mapa. Cantídio Sampaio concentra ônibus e comércio, porém a velocidade dos veículos e as travessias largas reduzem o conforto justamente onde mais destinos se acumulam.

03

Segurança

A média esconde diferenças entre núcleos e horários

Brasilândia ocupa uma faixa intermediária na dimensão provisória, com proteção à vida e patrimônio reagindo de modo distinto à forma do território.

Eixos comerciais têm movimento, ônibus e portas abertas; ruas residenciais em encostas podem esvaziar cedo. Essa alternância muda vigilância natural, exposição e possibilidade de pedir ajuda.

A leitura combina mortalidade distrital com roubos, furtos e veículos. Ela não localiza risco em uma esquina nem transforma um resultado melhor que outros territórios periféricos em garantia de segurança.

O trajeto mais importante é o que liga casa, ponto de ônibus e comércio depois do anoitecer. Iluminação, visibilidade, tempo de espera e presença de atividade valem mais que um rótulo amplo.

A vida comunitária e o comércio mantêm vigilância natural nos eixos de Vila Terezinha e do centro da Brasilândia. O contraste aparece na volta para ruas altas ou internas, quando o último trecho depois do ônibus pode reunir pouca iluminação, aclive e baixa circulação; é esse caminho completo que precisa ser observado.

Em três anos completos, as ocorrências vinculadas ao território somaram 3.589 roubos, 5.250 furtos e 863 ocorrências contra veículos. Considerando também a circulação de quem entra e sai, os índices anuais ficam em 236,1 para roubos, 383,1 para furtos e 402,3 para ocorrências com veículos por 100 mil pessoas expostas. Para proteção à vida, a referência histórica é de 12,6 homicídios e intervenções legais por 100 mil moradores. A diferença entre esses números mostra por que patrimônio e proteção à vida precisam ser lidos separadamente.

Cantídio Sampaio, Vila Terezinha e o centro da Brasilândia sustentam circulação comercial, mas o último trecho para Vista Alegre, Damasceno e áreas altas perde movimento mais cedo. A volta de ônibus, a iluminação da subida e o acesso de veículos são mais informativos que a reputação geral do distrito. O volume de ocorrências costuma crescer onde e quando há mais gente circulando; sem saber quantas pessoas estavam expostas em cada hora, não é correto transformar o pico de registros numa “faixa mais perigosa”. Para o morador, vale mais testar o percurso no horário real de uso.

04

Moradia e custo

Acesso financeiro não basta quando o tempo pesa no orçamento

Moradia custa menos que no centro expandido e tem adequação relevante, mas deslocamento e infraestrutura desigual reduzem a vantagem.

A região reúne casas autoconstruídas, loteamentos consolidados e conjuntos em diferentes estágios de regularização. Metragem e preço não descrevem sozinhos estabilidade do terreno, documentação ou custo de manutenção.

A amostra de ofertas de julho de 2026 situava a Brasilândia perto de R$ 3,9 mil/m²; imóveis entre 50 e 150 m² apareciam praticamente na mesma faixa. É um patamar de entrada menor que no centro expandido, mas a comparação precisa incluir regularidade documental, conservação, acesso por ônibus e o custo mensal de viagens que uma localização mais distante pode produzir.

A nota melhora com relação mais favorável entre preço agregado e renda municipal, além de água, esgoto, banheiro e coleta em grande parte dos domicílios. Emprego formal disponível no próprio entorno é mais limitado.

Horas em transporte, mais integrações e necessidade de manutenção por relevo entram como custo indireto. A decisão precisa juntar escritura, estrutura, contenção, acesso e gasto semanal de viagem.

A oportunidade econômica também entra na leitura. Os postos formais localizados no recorte pagavam em média R$ 2.515 por mês, e havia 0,6 empregos para cada dez pessoas em idade ativa. Esse número ajuda a entender a força do polo de trabalho, mas não representa a renda dos moradores nem anula o preço da moradia.

Mercados locais e pequenos serviços ajudam a conter o gasto na porta de casa, mas viagens longas para trabalho, saúde especializada e compras maiores transferem custo para passagem e tempo. Nas encostas, manutenção da construção, drenagem, contenção e regularização precisam entrar no orçamento; um aluguel menor não compensa sozinho duas ou três conduções diárias.

05

Vida prática

O comércio sustenta o básico perto de casa

Redes locais atendem alimentação, farmácia e serviços cotidianos, enquanto escolhas especializadas ainda pedem deslocamento.

Os centros de Brasilândia e Vila Terezinha concentram mercados, bancos, alimentação e cuidados. Nos núcleos mais afastados, pequenos estabelecimentos cumprem função decisiva para quem evita uma viagem longa.

Variedade e redundância são menores que nas centralidades metropolitanas. Uma tarefa simples pode ser resolvida no bairro; exame especializado, grande compra ou serviço específico tende a exigir outro eixo.

A vitalidade comercial é um ativo social e urbano. Horário, subida, possibilidade de entrega e segurança do percurso determinam se a oferta inventariada realmente serve a cada família.

Mercados, mercearias, feiras e atendimento público formam a espinha dorsal da autonomia local. Já bancos, lotéricas, encomendas e serviços especializados aparecem com menos redundância e puxam viagens para Freguesia do Ó, Santana ou outros centros; a diferença prática é quantas integrações uma tarefa fora do básico exige.

Cantídio Sampaio e os centros de Brasilândia e Vila Terezinha reúnem mercados, bancos, alimentação e serviços públicos. Jardim Damasceno e Vista Alegre dependem mais de redes menores e do ônibus para tarefas especializadas, diferença que transforma uma mesma lista de compras em rotinas de tempo muito distintas.

Duas âncoras públicas têm impacto muito maior que o comércio miúdo: o Hospital Municipal da Brasilândia e a Fábrica de Cultura Brasilândia. O primeiro reduz viagens para parte do cuidado hospitalar; a segunda concentra formação e programação cultural. Nas áreas altas, chegar a esses equipamentos ainda pode exigir ônibus e caminhada longa.

06

Saúde e educação

Escolas estão espalhadas pelo território; saúde especializada e resultados sociais ainda revelam distância

Brasilândia tem uma rede educacional numerosa e uma estrutura pública de saúde que ganhou escala com o Hospital Municipal, mas encostas, ônibus e desigualdade social reduzem a equivalência entre estar no mesmo distrito e ter o mesmo acesso.

O inventário reúne 160 escolas, 66 públicas e 94 privadas. A presença ampla encurta o primeiro acesso em muitos setores, mas Jardim Damasceno, Vista Alegre, Vila Terezinha e o centro da Brasilândia não oferecem necessariamente as mesmas etapas, turnos, educação integral ou continuidade até o ensino médio.

A saúde registra 20 estabelecimentos ligados ao SUS e 24 serviços privados, sem hospital privado no recorte. O Hospital Municipal da Brasilândia–Adib Jatene alterou a capacidade regional de exames, internações e cirurgias, enquanto UBS, AMA, CAPS e serviços especializados continuam sendo as portas mais frequentes da rotina.

A topografia é parte do acesso: uma unidade a poucas centenas de metros pode exigir subida forte, escadaria ou dois ônibus. Para exames e especialidades, o encaminhamento e o tempo até o equipamento importam tanto quanto a existência do Hospital Municipal em outra parte do distrito.

Os indicadores sociais puxam a dimensão para baixo, sobretudo longevidade, mortalidade infantil e gravidez na adolescência. O atendimento de creche aparece comparativamente melhor, mas não compensa sozinho as diferenças de saúde e permanência escolar que acompanham renda, moradia e tempo de deslocamento.

A leitura cotidiana deve separar a rede disponível da rede alcançável. Uma família perto de Cantídio Sampaio ou Vila Terezinha tem mais rotas e comércio de apoio; nas áreas altas e periféricas, perder uma linha de ônibus ou uma vaga em turno compatível muda toda a organização da casa.

07

Áreas verdes e lazer

A Cantareira está perto na paisagem e longe na rotina

A borda ambiental é expressiva, mas parque equipado, esporte e cultura não chegam de forma uniforme aos cinco núcleos.

A proximidade da Serra da Cantareira oferece horizonte verde e importância ambiental de escala municipal. Área protegida, contudo, não equivale a entrada pública segura e próxima para brincar, caminhar ou praticar esporte.

Praças, campos, equipamentos comunitários e iniciativas culturais sustentam lazer local. Distribuição, manutenção e percurso até eles variam com relevo e urbanização.

Arborização viária é baixa em muitos trechos, o que reduz sombra justamente nas subidas. A experiência térmica pode ser mais dura mesmo quando a mata aparece a poucos quilômetros.

A Serra da Cantareira forma a paisagem e ajuda no conforto térmico das bordas, mas mata visível não equivale a parque acessível. Entradas, trilhas, iluminação e distância em encosta determinam quem consegue usar esse patrimônio; praças, CEUs e campos locais continuam essenciais para o lazer cotidiano.

Partindo das áreas residenciais que representam Brasilândia, o espaço verde público mais próximo fica, em média, a 500 m; quando se procura uma área com pelo menos 1 hectare, a distância passa a 1,1 km. A proximidade de uma praça não significa acesso simples a um parque: para lazer prolongado, boa parte dos moradores precisa transformar a visita em deslocamento planejado.

Árvores aparecem em 20,2% das faces de quadra observadas, e 15,5% têm três ou mais. A baixa continuidade de árvores deixa muitas rotas expostas ao sol e reforça a importância de praças bem cuidadas e caminhos sombreados. Jardins privados melhoram a paisagem, mas não substituem acesso público, equipamentos esportivos e espaço de permanência.

08

Chuvas e drenagem

A água desce rápido onde a ocupação deixa pouco espaço

O desempenho regional é razoável, mas encostas e ocupação densa mantêm pontos críticos em temporais fortes.

A maior fragilidade não é uniforme. Terrenos íngremes aceleram enxurrada; fundos de vale recebem o volume; escadarias e ruas sem drenagem contínua podem se tornar canais.

Obras e cobertura de bueiros melhoram parte do quadro. Elas não eliminam erosão, deslizamento ou entrada de água em construções abaixo do nível da rua.

O histórico da casa e da rota de saída é indispensável. Muros de contenção, rachaduras, escoamento do quintal e acesso de ambulância devem ser observados com mais cuidado que a média do distrito.

Nas encostas, a preocupação é estabilidade, enxurrada e acesso de emergência; nos fundos de vale, é acúmulo de água e capacidade da drenagem. Jardim Damasceno, Vista Alegre e Vila Terezinha não devem receber o mesmo diagnóstico, e contenções pontuais não eliminam a necessidade de verificar o lote e a rota de saída.

A chuva paulistana concentra cerca de 664,9 mm no verão e 130,5 mm no inverno. Um mês de inverno recente acumulou 129,3 mm na cidade, mais que o dobro dos 48,0 mm esperados, com 57,4 mm em um único dia. Essa intensidade ajuda a entender por que a drenagem de Brasilândia deve ser avaliada pela rua, pela garagem e pelas rotas usadas — o volume é uma referência da capital, não uma medição exclusiva do bairro.

O mapa de suscetibilidade coloca 1,1% da população estimada do recorte em área sujeita a inundação e 1,1% do território nessa condição. Bueiros ou bocas de lobo aparecem em 41,1% das faces de quadra do entorno. O contraste mostra que muita infraestrutura de drenagem não elimina baixadas, impermeabilização, obstruções nem a possibilidade de um imóvel seco ficar isolado por sua rota de saída.

09

Conforto acústico

Distância dos grandes corredores traz uma vantagem rara

Sem aeroporto ou ferrovia dominante, muitas áreas residenciais da Brasilândia têm conforto acústico acima do restante das dimensões.

O som cotidiano vem sobretudo de ônibus, motos, comércio e atividades locais. Ele se concentra nos eixos principais e diminui em ruas internas.

Topografia pode bloquear uma fonte e carregar outra pelo vale. Festas, igrejas, bares e campos produzem padrões semanais que o modelo territorial não capta inteiramente.

A nota alta não substitui a visita. Casa geminada, laje, oficina próxima e circulação de ônibus na subida podem definir o conforto mais que a distância do centro.

A boa nota acústica vem da distância de aeroportos, ferrovias e corredores metropolitanos, não de silêncio uniforme. Cantídio Sampaio, Inajar de Souza e terminais de ônibus mantêm ruído de motor, frenagem e comércio, enquanto vielas e ruas altas podem ter uma noite muito mais calma.

Inajar de Souza, Cantídio Sampaio e os corredores de ônibus concentram motores, frenagens e anúncios; nas subidas internas, o som chega por motos, obras, igrejas, bares e circulação local. O relevo pode carregar ruído entre encostas, enquanto uma rua afastada do corredor ganha silêncio sem necessariamente ter menos movimento comunitário.

10

Infra e conectividade

A rede avançou, mas ainda não chega com a mesma qualidade

Saneamento, pavimentação e conectividade estão presentes em grande parte da Brasilândia, com continuidade desigual entre núcleos.

Água, esgoto e coleta melhoraram ao longo da urbanização, porém ligações, pressão, drenagem e condições internas variam em ruas consolidadas, vielas e ocupações mais recentes.

Internet fixa e sinal móvel existem, mas relevo, densidade e oferta por rua podem limitar operadoras e desempenho. Cobertura municipal não mostra o que acontece dentro da casa.

Quedas de energia, acesso para manutenção e regularidade do endereço afetam trabalho remoto e serviços básicos. Teste e histórico local são indispensáveis para transformar disponibilidade em uso confiável.

A topografia aumenta a complexidade de água, esgoto, coleta e manutenção da rede elétrica. Ruas consolidadas próximas a João Paulo I têm outra redundância que ocupações em encosta; dentro da casa, reservação, pressão de água, ligação regular e sinal móvel precisam ser confirmados sem inferir a partir da média regional.

Água e esgoto atendem 94,5% dos domicílios do recorte; iluminação pública aparece em 95,3% das faces observadas e pavimentação em 96,6%. A conectividade externa é reforçada por 2,7 estações rádio-base por km² e pela presença regional de 4G e 5G, mas parede, andar e cabeamento ainda mudam o resultado dentro do imóvel.

A cobertura territorial informa se a rede chega à região; a experiência depende da instalação que serve a casa ou o edifício. Em encostas e vielas, a chegada da equipe de manutenção e a regularidade da ligação podem importar tanto quanto a cobertura registrada.

História e formação

Da borda rural à cidade construída nas encostas

Brasilândia cresceu pela busca de terra acessível antes da chegada completa das redes urbanas. A forma atual — núcleos densos, comércio local e ligações longas — nasce dessa sequência.

Primeira metade do século XX

Sítios e caminhos na zona norte

A paisagem ainda era rural e mantinha relação com as matas e a Serra da Cantareira.

Meados do século XX

Loteamentos recebem novas famílias

Terrenos mais acessíveis atraíram moradores e abriram os primeiros núcleos do bairro.

Décadas de 1960–1980

A ocupação sobe as encostas

O crescimento acelerado avançou antes da implantação completa de transporte, drenagem e saneamento.

Hoje

Comércio, cultura e urbanização em curso

Redes comunitárias e obras públicas ampliam direitos urbanos sem apagar diferenças entre os núcleos.

Século XXI

A Linha 6 começa a alterar o mapa de acesso

Obras, desapropriações e a abertura assistida do trecho até João Paulo I aproximam parte da região do centro, enquanto bairros altos ainda aguardam a rede completa.

Participação local

O dado mostra o território. Quem vive mostra a rotina.

Moradores podem enviar relatos sobre ruas, horários e situações específicas. Toda contribuição é verificada e identificada como percepção local.

Relatos complementam os dados, sem substituí-los

Rastreabilidade

Fontes desta versão

Ver instituições, datas e limitações20 registros
01IBGE · Censo 2022Domicílios, população e condições do entorno urbano.02Metrô de São Paulo · Pesquisa Origem e Destino 2023Centros habitados, modos e tempos de deslocamento.03SSP-SP · Estatística criminalRegistros de 2023–2025 usados na exposição patrimonial modelada.04GeoSampaVias, equipamentos, áreas verdes, drenagem, relevo e território.05Rede Nossa São Paulo · Mapa da Desigualdade 2025Resultados sociais e distritais comparáveis.06Arquivo Histórico MunicipalFormação urbana e memória dos bairros paulistanos.07Proprietário Direto · ofertas em BrasilândiaValores pedidos em anúncios de venda consultados em julho de 2026; não são preços de negócios concluídos.08Prefeitura de São Paulo · Linha 6 na BrasilândiaOperação assistida iniciada em julho de 2026 e etapas ainda pendentes da conexão integral.09IBGE · último Censo disponívelPopulação, domicílios e condições do entorno urbano.10Metrô de São Paulo · Pesquisa Origem e DestinoTempos, modos de viagem, população e centros de deslocamento.11SSP-SP · Estatística criminalOcorrências públicas comparadas no mesmo período.12CNES · estabelecimentos de saúdeCadastro nacional atualizado continuamente; usado para conferir vínculo e função dos estabelecimentos citados.13INEP · Censo Escolar 2025Microdados mais recentes publicados para escolas, etapas e dependência administrativa; identificados e ainda pendentes de processamento na próxima reestimação da nota.14GeoSampaLimites, equipamentos, áreas verdes, vias, drenagem e obras.15CGE · série pluviométrica da cidadeAcumulados, médias históricas e extremos de chuva monitorados na capital desde 1995; a escala municipal não é atribuída a um bairro isolado.16Rede Nossa São Paulo · Mapa da DesigualdadeResultados sociais e referências comparáveis entre distritos.17NIC.br · Mapa de Qualidade da InternetMedições de download, upload e latência usadas como referência municipal, sem atribuição automática ao bairro.18Enel São Paulo · continuidade do fornecimentoDEC da área de concessão nos doze meses encerrados em junho de 2025; não equivale ao tempo de interrupção de um bairro.19ANEEL · qualidade do fornecimentoDefinição e limites de interpretação dos indicadores DEC e FEC por conjunto de unidades consumidoras.20Arquivo Histórico Municipal · Histórias dos BairrosFormação urbana e memória dos bairros paulistanos.